domingo, 27 de março de 2011

Reflexão sobre as Paradas Gay

– Estamos perdidos? Onde queremos chegar afinal?


O que o povo chama de “cultura gay”, pra mim, é a soma das atitudes que o homossexual que desejava se assumir ou viver abertamente a sua sexualidade foi criando pra se defender. Isso compõe, então, uma sub-cultura (não no sentido de inferior, mas no sentido de estar dentro da cultura geral). Assim sendo, existe uma somatória de coisas que consistem no que hoje se chama “cultura gay” ou “mundo gay” e elas apareceram devido à necessidade, até certo ponto, de defesa.


Se o gay fosse completamente aceito ela não existiria, porque não chegaria a consistir numa “Cultura”…  O gay viveria elementos da cultura geral mais ou menos intensamente de acordo com seus gostos, mas não haveria a necessidade de criar a tal cultura gay – ou de chamá-la assim. Aí entra a parada gay…
Primeiro ponto: O objetivo da parada gay é lutar contra o preconceito e aumentar a “aceitação” da sociedade quanto à Homossexualidade. Porém faz-se isso com base na tal “cultura gay” que, como eu disse, só existe porque o preconceito e segregação existem. Então usa-se uma conseqüência de algo para combater esse algo ( sendo que, acabando esse algo, teoricamente deveria acabar também as suas conseqüências).
Segundo ponto: é muito positiva “aceitação” que se nota nas ruas em dias de parada gay. Praticamente nenhum gay é morto ou ofendido… Mas já notou que isso acontece simplesmente porque nesse dia eles são a maioria e estão organizados? Além disso, o que significa cobrar “aceitação”? Aceitar algo é uma atitude burra. Aceitar uma ordem, aceitar um discurso. Aceita-se até algo do que se discorda. Então acho que pedir aceitação é algo errado.
O preconceito, então, não vai acabar dentro das pessoas com a exposição dessa “cultura gay” e nem com pedidos de “aceitação”  ou “dignidade”. O povo pode decidir aceitar o gay e não demonstrar o preconceito. Isso significa: nada de gays sendo mortos, nada de piadinhas mal educadas etc. Mas o preconceito ainda existiria dentro das pessoas. Se esse resultado, então, está bom e  é o pretendido, na verdade é uma causa Egoísta: não é querer que as pessoas entendam que a homossexualidade é humana e natural e sim buscar um caminho sem empecilhos para exercer a própria homossexualidade.
Assim sendo, creio que essa barreira entre o gay e a sociedade – chamada “cultura gay” – deveria ser dissolvida e o homossexual deveria reincorporar a cultura geral. Ela tem tudo que  a tal cultura gay tem, nada iria ser perdido. Além disso, além da marcha pela “aceitação” – algo que, como disse, considero egoísta – deveria haver mobilização mais política e direta.

Quando digo política, aliás, não estou apoiando ou aceitando a tal “lei da homofobia”. Essa lei é desnecessária. Já existe uma lei para isso: a lei da liberdade de expressão e conduta. Assim, acho que se você é contra a homossexualidade deve poder falar isso, sem que ofenda a alguém. Porque ser impedido de dizer que é contra seria a tal “Aceitação”: falsa e superficial. A verdadeira luta é pela internalização da verdade pela sociedade: ser homossexual é natural, e essa luta não está acontecendo.

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